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As Relações Amorosas Mudaram



RIO - Se depender do psiquiatria Flávio Gikovate, especialista em relacionamentos, o amor romântico - aquele cheio de paixão, mas possessivo, doloroso e complexo - está próximo do fim. Autor do recém-lançado Uma história de amor... com final feliz (MG Editores), o psiquiatra diz que as mulheres só vão conseguir ter uma relação saudável se abandonaram as cobranças, as carências e, principalmente, a idéia de 'cara metade'. Em entrevista ao GLOBO ONLINE, o médico defende o +amor, um relacionamento baseado em afinidades intelectuais, companheirismo e amizade profunda



Como as relações amorosas mudaram e por que adotar o +amor?
As relações amorosas vêm mudando por força do crescimento do individualismo que deriva de avanços tecnológicos. Crianças formadas na era dos videogames e computadores, DVDs e iPods são diferentes. Não toleram muito fazer concessões, de modo que se tornam adultos menos dispostos a viver muito grudados. O +amor corresponde a uma aliança mais respeitosa, onde cada um faz seus programas e a vida em comum se restringe ao que ambos têm em comum. Assim, as afinidades de caráter, de gostos e temperamentos têm se tornando essenciais para a estabilidade de novos elos sentimentais.


" As mulheres é que estão na frente desse processo de individualização, pois eram as vítimas nos relacionamentos de 'fusão romântica' "



O +amor seria algo mais fácil para os homens, já que as mulheres costumam se prender mais a ideais românticos?
As mulheres é que estão na frente desse processo de individualização, pois eram as vítimas nos relacionamentos de 'fusão romântica' com que tanto sonhavam. Sim, porque as maiores renúncias sempre foram exigidas delas. Hoje a relação tem que ser cooperativa e ambos, por meio de negociações, decidem o que será feito em conjunto.
No livro, o senhor sugere que amor intelectual seria a forma mais inteligente de relacionamento? Por quê?
O +amor define um relacionamento baseado na aliança derivada de afinidades. Neste caso, a sensação de aconchego depende mais das afinidades intelectuais, ou seja, não precisamos nos sentir 'no colo' do parceiro, como pedíamos para nossos pais na infância, por exemplo. É um aconchego parecido com o que sentimos ao lado de um amigo muito querido e especial. É perfeitamente possível que a relação amorosa comece pela amizade e com pouca atração física, apesar do pouco entusiasmo sexual (pelo menos na primeira fase).
A paixão deixa de ser importante?
Não, mas é preciso entender que quanto maior a paixão, maior o medo da felicidade e da perda da individualidade. Quando um homem e uma mulher se encontram em uma situação erótica, a intimidade acaba rolando, ainda que com alguns percalços iniciais. No encantamento amoroso intenso, na paixão, geralmente há um que ama intensamente e o outro é amado de forma passiva. E se não existe uma correspondência equilibrada, estaremos sempre diante de uma relação incompleta e fantasiosa.
Qual o problema do conceito de 'cara metade'? As mulheres ainda querem isto?
Homens e mulheres pensam de forma parecida nos assuntos do amor. As grandes diferenças residem na área sexual. A idéia de 'cara metade' é antiga, a de que somos uma metade que só se completa ao encontrar a outra metade. Isso determina a fusão que tradicionalmente era buscada, mas nunca encontrada na realidade, e que oprime demais a individualidade de todos nós. Isso só poderia funcionar no passado, quando homens e mulheres se uniam para resolver questões prática de sobrevivência. Hoje, quando um relacionamento está mais voltado para o lazer do que para a resolução de necessidades, esse conceito não existe mais e terá que mudar.


" O 'ficar' é um fenômeno erótico sem sentimentos, o que pode indicar que a pessoa tem mais medo do amor do que do sexo "



Como os relacionamentos sem compromisso e o 'ficar' afetam os relacionamentos, em especial as mulheres?
Não critico o 'ficar'. Ao contrário, sempre fui grande defensor desta intimidade erótica entre homens e mulheres da mesma faixa etária e condição social. Mas o 'ficar' é um fenômeno erótico sem sentimentos, o que pode indicar que a pessoa tem mais medo do amor do que do sexo. Na fase do 'ficar', acabamos amando apenas em fantasia.
As relações românticas ainda têm espaço no conceito de +amor?
É possível, desde que as pessoas se dêem conta dos problemas envolvidos no amor romântico tradicional e que queiram atualizá-lo para que possam viver um relacionamento mais gratificante e com mais chance de durar. Com o livro, tento ajudar os casais que querem ficar juntos mas estão enfrentando os problemas de adequação à modernidade.
Qual seu conselho para a mulher que no momento está só?
Procure ser uma pessoa que se ocupe de interesses próprios, ou seja, arrume 'paixões' intelectuais, esportivas e pessoais. Aprenda a tolerar bem a sensação de desamparo que por vezes acomete todos nós. Construa uma independência financeira e seja capaz de cuidar de si mesma, equilibrando o egoísmo e a generosidade.
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Bem, como dizem, o nosso melhor amor é o AMOR PRÓPRIO!